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Bocas de fumo chegam a valer R$ 50 mil em Vila Velha



Segundo a polícia, os principais pontos de venda de droga do município provocam uma rivalidade sangrenta

Cinquenta mil reais. Pode parecer um valor surreal, mas é o que pode render uma boca de fumo movimentada de Vila Velha, por semana. A informação é de um oficial da Polícia Militar que atua no município, mas que prefere não se identificar.
 
Segundo o policial, o dinheiro que circula nas bocas de fumo é o principal combustível para os criminosos matarem mais e mais. “As bocas de fumo que vendem mais, fomentam maiores disputas. Existem bocas com rendimentos exorbitantes, de R$ 30 a R$ 50 mil por semana. Tem boca que dá até R$ 500 mil por mês. Isso gera um confronto grande e muitas mortes”, afirmou o oficial da Polícia Militar.
 
O Gazeta Online listou os 23 bairros onde a guerra é mais intensa, seja na disputa interna ou com bandidos de comunidades vizinhas. Em 2014, 229 pessoas foram assassinadas no município. Cerca de 65% das mortes têm relação com as disputas pelo controle das bocas de fumo.

E na guerra entre as gangues, os tiroteios se tornam frequentes e os moradores vivem sob o fogo cruzado. Mesmo sabendo onde o tráfico existe, o PM ressaltou as dificuldades do combate ao crime nessas comunidades. O oficial aponta ainda a atual legislação como um dos fatores que mais atrapalham o trabalho da polícia no combate ao tráfico.

“O criminoso tem acesso mais fácil às armas, através do comércio ilegal. O bandido vai no Paraguai e consegue comprar o que quiser. Hoje, se pegarmos um garoto de 14 anos com fuzil, granada, muito mais bem equipado do que a gente, não acontece nada com ele. Eles usam armas importadas, fuzis, pistolas”, ressaltou o policial.
 
Mais de 500 armas apreendidas no município
 
“Para acabar com o tráfico não existe receita de bolo. É preciso intervenções nos imóveis que dão espaço a pontos de consumo e venda de drogas, atuação multidisciplinar de médicos, assistentes sociais, igrejas, entidades sociais - e, por fim, a polícia”.
 
A declaração é do Major Leandro Menezes, subcomandante do 4º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área de Vila Velha. “Só a PM todos os dias não resolve. Precisamos de participação mais intensa de políticos, Poderes Legislativo e Judiciário, outros órgãos públicos, da liderança da comunidade na discussão dos problemas locais, com respostas mais ágeis às demandas da população”, explica o major.

Em 2014, o 4º BPM apreendeu mais de 500 armas de fogo. “Não vinculamos diretamente algum percentual ao tráfico de drogas, mas a disputa pelos espaços e a banalização da vida tornaram essa dupla ligação entre homicídios e o tráfico de drogas uma dura realidade”.

Sobre os conflitos recorrentes entre gangues rivais, major Menezes lamenta, mas também vislumbra um futuro melhor para os pequenos. “É possível reverter o cenário tratado como guerra. Ali estão filhos, irmãos, pais e mães de nossa sociedade. Precisamos da colaboração de todos, e não apenas da repressão policial. Hoje, as lideranças comunitárias são nossas parceiras em reuniões frequentes no 4º BPM e nas Companhias de área”, finaliza.
 
Só a educação salva
 
Segundo a Prefeitura de Vila Velha, a educação é o principal meio para fechar as portas da cidade para a violência. Em nota, a administração municipal informou que medidas vem sendo tomadas para afastar jovens e crianças do tráfico de drogas, apontada como principal causa dos homicídios registrados no município.

De acordo com a prefeitura, quatro escolas municipais de horário integral foram entregues ontem em Vila Velha, o que, segundo a administração, “significa jovens estudando ao longo de todo o dia e fora das ruas, longe do tráfico e de suas atividades”.
 
A Prefeitura ainda diz que duas ações vem sendo realizadas na cidade com o intuito de sensibilizar os jovens a respeito dos efeitos negativos da entrada mundo das drogas e do crime. Os projetos se referem às palestras em escolas municipais e em comunidades.
 
Da Gazeta Online

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